Boa Tarde! Sábado, 18 de Novembro de 2017

SAÚDE

CLORO NO COMBATE ÀS DOENÇAS HÍDRICAS

Durante muito tempo a humanidade registrou epidemias (doenças que afetam muitas pessoas ao mesmo tempo e no mesmo lugar) causadas pela presença de agentes patogênicos (que ocasionam doenças) na água, praticamente sem conhecer nenhum mecanismo para defesa. Duas doenças mostravam-se particularmente importantes: a febre tifóide e a cólera. O desenvolvimento e aplicação de novas e eficientes técnicas de tratamento da água, em especial no final do século XIX e início do século XX, contribuíram de forma significativa para a redução dos índices de mortalidade determinados por estas enfermidades, em especial na população infantil.

Das medidas que a partir de então começaram a ser colocadas em prática uma teve papel de destaque, qual seja, a cloração da água destinada ao consumo humano. Para exemplificar a importância deste procedimento considere-se o caso Peru, onde, em 1991, milhares de pessoas morreram vitimadas pela cólera, em decorrência da suspensão de cloro no tratamento da água. Isso aconteceu, entre outros fatores, porque as normas européias que classificavam o cloro livre entre os produtos indesejáveis na água antes de sua colocação na rede e também pelo fato de não ter sido considerada, na ocasião, a questão do biofilme microbiano, que se desenvolve nos condutos distribuidores da água; sem ter um residual suficiente de desinfetante, este meio fornece condições propícias ao desenvolvimento de microrganismos nocivos à saúde humana.

Casos de cólera veiculados pela água também são relatados em países europeus e na África, onde foram erradicados com o uso do cloro. Nos Estados Unidos, no período de 1880 a 1889, a média da mortalidade por febre tifóide era de 58 por cem mil habitantes; com a utilização do cloro na água, a taxa caiu para 35 por cem mil habitantes. Na cidade de São Paulo, até a introdução da cloração nos sistemas de abastecimento de água, a febre tifóide tinha caráter endêmico (constante).

A adoção da prática de cloração, aliada aos demais processos de tratamento de água, foi, sem dúvida, responsável pelo declínio das doenças transmissíveis por via hídrica. Uma evidência da ação positiva dos sistemas de abastecimento público de água tratada é a considerável redução da mortalidade infantil.
No entanto, é importante assinalar que a ausência de residual suficiente de desinfetante pode levar ao desenvolvimento do chamado biofilme microbiano, que se estabelece na rede de distribuição de água, ou seja, de microrganismos prejudiciais à saúde humana. Toda desinfecção deve ser controlada por análises bacteriológicas e, para uma ação operacional mais rápida, também por meio da determinação do teor de cloro residual. Para garantir adequada desinfecção e como prevenção a futuras contaminações é preciso  manter o residual de cloro em todos os pontos da rede de distribuição.

O Ministério da Saúde recomenda concentração mínima de 0,2 mg/l de cloro livre. O cloro não só é um agente desinfetante eficaz, como possui uma ação oxidante comprovada. Sendo assim, é empregado no tratamento da água também para outros fins, como oxidação de ferro, manganês, remoção de ácido sulfídrico, controle de odor, cor, sabor e eliminação de algas.


DOENÇAS DE VEICULAÇÃO HÍDRICA
Essencial à vida humana, a água, quando em inadequadas condições de potabilidade, pode disseminar numerosas doenças denominadas de veiculação hídrica. Dados da Organização Mundial de Saúde, OMS, registram que em torno de 85% das enfermidades conhecidas caracterizam-se como de veiculação hídrica.
O texto a seguir procura, de maneira objetiva e resumida, transmitir algumas informações que possam contribuir para reduzir a ocorrência de algumas destas doenças e de suas consequências, em especial pela adoção de medidas preventivas. Não são focalizados aspectos relacionados às formas de tratamento de pessoas por elas afetadas, por entender-se que a ministração de medicamentos sem a indispensável orientação médica é passível não apenas de gerar graves problemas como, acima de tudo, de colocar a vida em risco. Para cada doença e para cada organismo humano há um tratamento correto, que somente o médico poderá prescrever.

GASTROENTERITES
Distúrbios determinados por infecções do estômago e do intestino, cuja incidência é maior quando há ausência de práticas de saneamento: tratamento de água, rede de esgoto, água encanada, e coleta e destinação adequadas de lixo. Mostram-se particularmente graves em crianças de até cinco anos de idade, nas quais podem acarretar elevado número de óbitos.
Agentes causadores: bactérias e vírus, sendo os rotavírus responsáveis pelos casos mais graves.
Contágio: presença de agentes causadores (micro-organismos) em alimentos e água contaminados por fezes infectadas.
Sintomas: perda de apetite, náuseas, vômitos, desidratação, ruídos intestinais audíveis, cólicas abdominais, diarréia com ou sem sangue e muco visíveis, febre, mal-estar geral, fadiga acentuada e dores musculares.
Diagnóstico: exames de sangue e de fezes.
Prevenção: higiene dos alimentos; combater moscas; constantes lavagens de mãos, principalmente antes de lidar com alimentos; coleta e destinação adequadas do lixo e controle da qualidade da água (uso de água filtrada ou fervida; nos locais onde não há tratamento adicionar, para cada litro, duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5%, encontrado nos centros/postos de saúde e no comércio); observação de normas rígidas de higiene com crianças, sobretudo em creches, escolas, hospitais e ambientes de estreito convívio.

CÓLERA
Doença infecciosa intestinal, de transmissão predominantemente hídrica.
Agente causador: bactéria Vibrio cholerae.
Contágio: água e alimentos contaminados por fezes e vômitos de pessoas infectadas e mãos contaminadas por falta de higiene.
Sintomas: diarréia aquosa e profusa, que começa de repente (de coloração esverdeada e com espuma branca); vômitos ocasionais; câimbras musculares; cólicas abdominais; colapso circulatório. Pode haver insuficiência renal aguda, aborto, parto prematuro e hipoglicemia (baixa de glicose no sangue); em função de diarréias e vômitos há acentuada perda de líquidos pelo organismo, provocando desidratação em pouco tempo, o que pode ocasionar a morte.
Diagnóstico: exames laboratoriais para isolamento do agente causador.
Prevenção: controle de qualidade da água; coleta e deposição adequadas de lixo; correta destinação de fezes; desinfecção criteriosa de verduras, legumes e frutas; cuidados de higiene pessoal; uso de água filtrada (nos locais onde não há tratamento de água adicionar, para cada litro, duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5%, encontrado nos centros/postos de saúde e no comércio).

FEBRE TIFÓIDE
Enfermidade bacteriana. Do momento em que a pessoa adquire a infecção até o aparecimento dos primeiros sintomas decorrem de cinco a 23 dias (período de incubação). A fonte de infecção é o doente, que assim pode permanecer por muitos anos, visto que os bacilos (bactérias em forma de bastonetes) persistem nas fezes.
Agente causador: Salmonella typhi, bactéria especificamente humana.
Contágio: água e alimentos contaminados por portadores e doentes. A doença se transmite pelas des-cargas do intestino (fezes), quando estas contaminam mãos, roupas, alimentos e água. A disseminação da Salmonella é favorecida pelo uso de água contaminada para irrigação, utilização de fezes humanas como fertilizante, manuseio de alimentos por doentes ou infectados e insetos (moscas, baratas, etc.) nas áreas de processamento de alimentos.
Sintomas: febre, dores de cabeça e abdominal, falta de apetite, mal-estar geral, fadiga, boca amarga, calafrios, indisposição gástrica e diarréia; podem aparecer manchas avermelhadas no tronco.
Diagnóstico: exames de sangue e fezes.
Prevenção: vacinação, utilizar somente água tratada, combater moscas e outros insetos, dar destinação adequada ao esgoto e resíduos sólidos e higienização dos alimentos.

FEBRE PARATIFÓIDE
Mais rara em relação à febre tifóide e também causada por bactéria, apresenta os tipos “A”, cuja incubação varia de quatro a dez dias, e “B”, a mais grave e que se manifesta em menos de 24 horas. 
Agente causador: Salmonella paratyphi.
Contágio, sintomas, diagnóstico e prevenção: semelhantes ao da febre tifóide.

HEPATITE A
Embora existam vários tipos de hepatite, a do tipo “A” merece destaque por ser veiculada pelos alimen-tos e pela água. O ser humano é o único hospedeiro natural do agente causador, cuja infecção determina imunidade permanente contra a enfermidade.
Agentes causadores: vírus.
Contágio: água e alimentos contaminados, sendo que os portadores disseminam a doença cerca de duas semanas antes e uma semana após o aparecimento de icterícia (pele com coloração amarelada). A transmissão também ocorre por transfusão de sangue de pessoa contaminada, bem como por contágio direto de uma pessoa para outra (no ato sexual, por exemplo).
Sintomas: pode revelar duas fases: antes da manifestação da icterícia = febre, mal-estar, urina de colo-ração escura, falta de apetite e náuseas; com manifestação de icterícia = desconforto abdominal, náu-seas, fígado aumentado e febre.
Diagnóstico: exame de sangue.
Prevenção: vacina anti-hepatite, adequadas práticas de higiene pessoal, consumo de água tratada (nos locais sem água tratada adicionar duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água), ingestão de alimentos bem cozidos, higienização dos alimentos e vacinação (em especial de pessoas que se destinem a áreas endêmicas).

HEPATITE E
Pesquisas assinalam que esta doença tem maior incidência entre os adultos dos 15 aos 40 anos de idade e que é mais frequente em climas quentes.
Agente causador: vírus da hepatite E, encontrado em humanos doentes e também em macacos, suínos, bovinos, caprinos, ovinos e roedores, que são susceptíveis à infecção.
Contágio: água e alimentos contaminados com matéria fecal. O período de incubação médio é de 40 dias. É rara a transmissão de pessoa a pessoa.
Sintomas: coloração amarelada da pele, falta de apetite, náuseas, vômitos, febre, dores abdominais, aumento do volume do fígado e mal-estar geral.
Diagnóstico: exame de fezes.
Prevenção: não existe vacina, indicando-se as medidas expostas para a hepatite A.

POLIOMIELITE
Em erradicação graças às sistemáticas campanhas de vacinação, é mais comum em crianças (paralisia infantil), embora também se manifeste em adultos. Os doentes expulsam grandes quan-tidades de vírus infecciosos nas fezes até cerca de três semanas depois da contaminação.
Agente causador: enterovírus, existindo três sorotipos que apresentam as mesmas manifestações clínicas; na maioria dos casos a poliomielite paralítica (a mais grave) é causada pelo sorotipo 1.
Contágio: água e alimentos contaminados, e também de pessoa para pessoa através do contato fecal-oral, particularmente crítico em situações onde são inadequadas as condições sanitárias e de higiene.
Sintomas: manifestações iniciais parecidas com as de outras doenças virais, como infecções respirató-rias (febre, dor de garganta e gripe) ou gastrointestinais (náuseas, vômitos e dores abdominais); a paralisia é devida aos danos na medula espinhal e córtex motor do cérebro.
Diagnóstico: encontro de vírus em fluídos corporais.
Prevenção: vacinação e observância das normas de higiene dos alimentos, de tratamento da água, de ordem pessoal e do ambiente doméstico.

LEPTOSPIROSE
Doença bacteriana que afeta humanos e animais, e pode ser fatal.
Agente causador: bactéria do tipo leptospira.
Contágio: água, alimentos e solo contaminados pela urina de animais infectados (bovinos, suínos, equinos, cães, roedores e animais selvagens), que são ingeridos ou entram em contato com membranas mucosas ou fissuras e rachaduras na pele.
Sintomas: febre alta, dor de cabeça acentuada, calafrios, dores musculares, vômitos, pele amarelada, olhos congestionados, dor abdominal, diarréia e coceira; as complicações incluem falência renal e hepática, meningite e deficiência respiratória. Em algumas pessoas pode haver ausência de sintomas.
Diagnóstico: testes sorológicos.
Prevenção: adequadas condições de saneamento básico, boas práticas de higiene e habitação, destinação correta do lixo, evitar águas de inundações e combater roedores.

GIARDÍASE
Quando na forma crônica, pode impedir a absorção de nutrientes, resultando em enfraquecimento geral do organismo.
Agente causador: Giardia lamblia, parasito que vive nas mucosas intestinais, principalmente no duode-no. 
Contágio: pela ingestão de água e alimentos contaminados, podendo também ser pelo contato direto com a pessoa infectada, assim como por moscas e outros insetos, e animais como cães, gatos, etc.
Sintomas: na maioria dos casos não há sintomas; outras vezes manifesta-se diarréia gordurosa de mau odor, diarréia aquosa sem sangue, dor abdominal, náuseas e vômitos.
Diagnóstico: encontro de parasitos em amostras fecais.
Prevenção: proteção dos alimentos contra moscas e insetos em geral; uso adequado da privada; evitar que as águas sejam contaminadas por fezes humanas (nascentes, poços, lagoas, etc.); lavar corretamente verduras, legumes, frutas e as mãos antes de começar o manuseio de alimentos; exames de fezes regulares; não deixar esgoto a céu aberto; coleta e destinação corretas do lixo.

AMEBÍASE
Diarréia persistente pode pressupor amebíase.
Agente causador: Entamoeba hystolityca.
Contágio: águas contaminadas por fezes de portadores; moscas e baratas, ao se alimentar de fezes de pessoas infectadas, também transmitem a parasitose, defecando sobre os alimentos ou utensílios. Outras formas: patas e calçados sujos de fezes, ingestão de verduras cruas que foram regadas com água contaminada ou adubadas com terra misturada a fezes humanas infectadas (as amebas podem ficar agarradas nas verduras durante muito tempo, mesmo expostas à chuva, ao frio e ao calor). Muito frequente é a contaminação pelas mãos sujas de pessoas que lidam com os alimentos.
Sintomas: dor abdominal, febre baixa, ataque de diarréia seguida de períodos de prisão de ventre, disenteria aguda com fezes sanguinolentas, etc.
Diagnóstico: exame de fezes.
Prevenção: utilização correta da privada; se crianças usarem penicos, as fezes devem ser jogadas na privada; proteger os alimentos contra moscas e baratas; conservar alimentos e utensílios cobertos ou dentro de armários; proteger as águas das minas, cisternas, poços, lagoas, açudes, valas de irrigação, etc., não permitindo que sejam contaminadas por fezes humanas; regar as verduras sempre com água limpa, nunca aproveitar a água utilizada em casa ou a água de banhos para regar verduras e legumes; lavar corretamente verduras, legumes e frutas em água corrente, principalmente as que são comidas cruas; lavar as mãos com sabão e água corrente todas as vezes que usar a privada; lavar muito bem as mãos antes de iniciar a preparação dos alimentos ou antes de iniciar a limpeza de utensílios, como filtros, por exemplo.

ESQUISTOSSOMOSE
Doença crônica cujo parasito tem no homem o seu hospedeiro definitivo, mas necessita, para desenvolver o ciclo evolutivo, de caramujos de água doce como hospedeiros intermediários.
Agente causador: Schistosoma mansoni, verme que se aloja nas veias do fígado e intestino.
Contágio: pela liberação de ovos do parasito com as fezes de pessoa infectada; em contato com a água, os ovos eclodem e libertam larvas que se alojam em caramujos, dando continuidade ao ciclo e as larvas liberando novas larvas que infectam as águas e posteriormente o ser humano penetrando em sua pele ou mucosas.
Sintomas: há as fases aguda e crônica. Na primeira, aparecem manifestações clínicas como coceiras e dermatites (inflamações da pele), febre, inapetência, tosse, diarréia, enjoos, vômitos e emagrecimen-to; na fase crônica, em geral sem sintomas, episódios de diarréia se alternam com períodos de prisão de ventre, com a doença evoluindo para um quadro mais grave com aumento do fígado e cirrose, aumento do baço, hemorragias provocadas por rompimento de veias do esôfago, e barriga d’água, isto é, o abdomen fica dilatado e proeminente.
Diagnóstico: exames de sangue e fezes.
Prevenção: educação sanitária, saneamento básico, controle dos caramujos e informação sobre o modo de transmissão da doença são medidas fundamentais para prevenção. Atentar para as normas básicas de higiene e saneamento ambiental, e evitar contato com águas represadas ou de enxurradas quando suspeitas de infestadas pelo parasito. Os caramujos podem ser combatidos por controle biológico, químico e condições do meio ambiente. Como seu habitat natural preferido são lugares com pouca água e correnteza, algumas medidas incluem drenar, aterrar ou aumentar a velocidade da água na área em que vivem. O controle biológico pode ser exercido por animais que se alimentam dos caramujos (peixes, patos, etc.) e o químico, pelo uso de moluscocidas. Usar roupas adequadas, botas e luvas de borracha se necessitar entrar em contato com águas supostamente infectadas.

ASCARIDÍASE
Conhecida igualmente por lombriga ou bicha, é verminose bastante comum. No ser humano, o agente vive no intestino por cerca de seis meses e deposita em média 200 mil ovos.
Agente causador: Ascaris lumbricoides.
Contágio: ingestão de água contaminada ou alimentos crus infectados. As crianças se contaminam através do solo ao levarem as mãos sujas à boca. Os ovos ingeridos passam pelo estômago e as larvas são liberadas no intestino delgado; atravessam a parede do intestino e caem na circulação sanguínea, indo ao coração e, em seguida, aos pulmões, onde sofrem novas mudas e depois migram pela árvore brônquica, sendo eliminados pela saliva ou deglutidos. Quando deglutidos, vão para o intestino e provocam a infecção, atingem a maturidade e reiniciam o ciclo.
Sintomas: no estágio larvário dificilmente provocam algum sintoma significativo, sendo comuns manifestações intestinais, pois as larvas migram para a veia porta. Na passagem pelos pulmões po-dem provocar infecções moderadas que por vezes evoluem e levam à tosse, febre, dificuldade respiratória, dor torácica, roncos e sibilos. Na fase adulta, a ascaridíase intestinal geralmente é bem tolerada e as principais manifestações são acentuação da curvatura lombar e abdome proeminente, dado o aumento do conteúdo abdominal e a interferência na digestão e absorção intestinal; o desconforto abdominal se manifesta por dor, cólica e eventuais náuseas. Quando o quadro de obstrução intestinal persistir por muito tempo, há a possibilidade de dificuldade de circulação do sangue intestinal com consequente necrose (morte de tecido).
Diagnóstico: pela presença do parasito nas fezes ou no material vomitado; por amostragem de larvas no escarro e, na criança pequena, pelo lavado gástrico.
Prevenção: educação para a saúde; evitar a contaminação do solo com fezes; melhoria dos hábitos higiênicos no preparo de alimentos e no seu manuseio, especialmente vegetais; normas de saneamento básico (água tratada e coleta e deposição corretas de dejetos e de lixo); usar latrinas, fossas secas e outros dispositivos para o recolhimento de dejetos, especialmente nas comunidades com precárias condições.

TENÍASE
Também chamada de solitária, tem maior incidência na zona rural, decorrente do mais elevado consumo de carne suína.
Agentes causadores: Tênia solium e Tênia saginata. A forma adulta da T. solium vive no intestino delgado do homem. O porco, hospedeiro intermediário, ingere os ovos que, após chegarem ao intestino, entram na corrente sanguínea e se alojam em alguns tecidos do animal, onde evoluem para um estágio larval chamado cisticerco. No caso da T. saginata, que tem o boi como hospedeiro intermediário, o homem pode ser apenas hospedeiro definitivo, não intermediário como ocorre com a T. solium.
Contágio: em geral, o homem se torna hospedeiro definitivo da T. solium quando ingere carne de porco crua ou mal cozida; quando há a ingestão de ovos de tênia ao invés de cisticercos, ele passa a ser hospedeiro intermediário. Quando os ovos sofrem maturação e se tornam cisticercos podem causar deficiência visual, fraqueza muscular e/ou epilepsia, dependendo do local onde se alojam. Essa doença é chamada cisticercose e é mais grave do que a teníase.
Sintomas: a teníase intestinal (ser humano como hospedeiro definitivo) frequentemente não apresenta sintomas, mas algumas pessoas podem apresentar náuseas, vômitos, diarréia, dor abdominal e altera-ções do apetite. Em indivíduos já subnutridos agrava o quadro de desnutrição. A cisticercose é devida à ingestão acidental de ovos de tênia em água ou comida contaminada. O ser humano apenas acidental-mente torna-se hospedeiro intermediário pelo parasito; os ovos eclodem no intestino e há invasão da mucosa intestinal. A maioria migra para os músculos, onde enquista (adquire forma resistente e infectante), mas algumas se enquistam em órgãos delicados como o olho e o cérebro, causando sinto-mas como alterações visuais, convulsões epilépticas e outros distúrbios neurológicos; no coração podem agravar insuficiência cardíaca.
Diagnóstico: encontro de ovos nas amostras fecais.
Prevenção: melhoria da higiene e controle da alimentação de suínos e bovinos. A prevenção pessoal envolve o consumo de carne de porco bem cozida ('bem passada'). A carne de vaca é geralmente mais segura porque este animal não se alimenta de detritos como o porco; contudo também é aconselhável o consumo apenas bem cozida (sem deixar porções vermelhas). Presunto e outros enchi-dos não cozidos são alimentos de especial risco.

ANCILOSTOMOSE
Causada por vermes nematelmintos, também é conhecida popularmente como amarelão, doença do jeca-tatu e mal da terra.
Agentes causadores: Ancylostoma duodenale e Necatur americanus.
Contágio: o ser humano adquire a doença ao manter contato com o solo contaminado por dejetos. As larvas, que se originam nos ovos eliminados pela pessoa contaminada, penetram ativamente pela pele (quando ingeridas, podem penetrar através da mucosa) e os vermes adultos vivem no intestino del-gado onde prendem seus 'dentes' na parede intestinal e passam a sugar o sangue de sua vítima. A infecção ocorre quando a larva atravessa a pele do indivíduo por meio do contato direto com solo contaminado (por exemplo, ao andar descalço na terra); o parasito também pode ser ingerido com água ou alimentos contaminados, o que facilita o seu ciclo
Sintomas: pele amarelada, pois os vermes vivem no intestino delgado e, com suas placas cortantes ou dentes, rasgam as paredes intestinais, sugam o sangue e provocam hemorragias e anemia; no local da penetração das larvas ocorre uma reação inflamatória (pruriginosa). Pode ser observada tosse ou até pneumonia (passagem das larvas pelos pulmões), seguidas de perturbações intestinais que se manifestam por cólicas, náuseas e hemorragias decorrentes da ação espoliadora. Estas hemorragias podem durar muito tempo, levando o indivíduo a uma anemia intensa, o que agrava mais o quadro. Podem ocorrer algumas complicações, como caquexia (desnutrição profunda), amenorréia (ausência de menstruação), comprometimento do desenvolvimento do feto, ocorrência de partos com fetos mortos e, em crianças, transtornos no crescimento.
Diagnóstico: exames de fezes.
Prevenção: construção de instalações sanitárias adequadas, evitando assim que os ovos dos vermes contaminem o solo; uso de calçados, impedindo a penetração das larvas pelos pés; medidas de higiene pessoal e doméstica.

OXIUROSE
Bastante comum, causada por verme nematelminto popularmente conhecido como oxiúro.
Agente causador: Enterobius vermicularis.
Contágio: ingestão dos ovos com água e alimentos contaminados; pela autofecundação, quando porta-dores (principalmente crianças) coçam a região anal e levam a mão à boca com os ovos que ficam sob as unhas, ou por retroinfestação, com as larvas eclodindo dos ovos no ânus e migrando para o intestino grosso, onde ficam adultas.
Sintomas: prurido anal e eventuais diarréia, náuseas, vômitos e dores abdominais.
Diagnóstico: baseia-se na coceira anal e em exame de fezes.
Prevenção: higiene pessoal e do ambiente, uso correto dos sanitários, cuidados referentes à alimentação e à água, etc.

MALÁRIA
Disseminada por vetor relacionado à água e bastante comum em países de clima tropical e subtropical, é também conhecida como paludismo e maleita, entre outras denominações. A Amazônia concentra 98% dos casos brasileiros de malária.
Agente causador: mosquito parecido com o pernilongo e que pica principalmente ao entardecer e à noite. Dos muitos tipos que infectam o homem, quatro são mais importantes: Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale. A doença provocada pelo P. vivax é a mais comum.
Contágio: pela picada do mosquito, por transfusão de sangue contaminado, através da placenta (congênita) para o feto e por meio de seringas infectadas. Geralmente é a fêmea que ataca porque precisa de sangue para garantir o amadurecimento e a postura dos ovos. Depois de picar um indivíduo infectado, o parasito desenvolve parte de seu ciclo no mosquito e, quando alcança as glândulas salivares do inseto, está pronto para picar outra pessoa e transmitir a doença.
Sintomas: febre alta, calafrios intensos que se alternam com ondas de calor e abundante sudorese, dores de cabeça e no corpo, falta de apetite, pele amarelada e cansaço. Pessoas que tenham febre depois de ter visitado áreas de risco devem considerar a possibilidade de ter contraído malária.
Diagnóstico: exame de sangue.
Prevenção: não existe vacina contra a malaria, doença que em determinados casos pode levar à morte se não tratada acertadamente. Em zonas endêmicas indica-se o uso de repelente no corpo todo, camisa de mangas compridas e mosquiteiro, assim como evitar banhos em igarapés e lagoas ou expor-se a águas paradas ao anoitecer e ao amanhecer, horários em que os mosquitos mais atacam. Em caso de viajem para regiões onde a transmissão é acentuada, procurar, com antecedência, um serviço médico para orientação sobre medicamentos antes, durante e depois da viagem.

DENGUE
Doença infecciosa transmitida por vetor relacionado à água, ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais. As epidemias geralmente se manifestam no verão, durante ou imediatamente após períodos chuvosos.
Agentes causadores: duas espécies de mosquitos: Aedes aegypti e Aedes albopictus; existem quatro tipos diferentes de vírus da dengue: 1, 2, 3 e 4; no Brasil, circulam os tipos 1, 2 e 3.
Contágio: ao contrário do mosquito comum (Culex), que atua durante a noite, os transmissores da den-gue picam durante o dia. O A. aegypti, prolifera dentro ou nas proximidades de habitações, em qualquer coleção de água limpa (caixas d'água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro, vasos de plantas). A disseminação é mais comum em cidades, mas também ocorre em menor escala em áreas rurais, sendo incomum em locais com altitudes superiores a 1.200 metros. Importante: está presente em áreas que são de risco potencial para febre amarela, da qual pode ser agente causador, e geralmente também para malária. Não há transmissão direta de pessoa para pessoa; é necessário que o mosquito pique um indivíduo infectado e, após o vírus ter se multiplicado, pique uma pessoa que ainda não teve a doença.
Sintomas: as manifestações iniciais são febre alta, dor de cabeça, muita dor no corpo e, às vezes, vômitos. É frequente que três a quatro dias após o início da febre apareçam manchas vermelhas na pele, parecidas com as do sarampo ou rubéola, e prurido (coceira); também são comuns pequenos sangramentos (nariz e gengivas). Em alguns casos (a minoria), nos três primeiros dias depois que a febre começa a ceder, pode ocorrer diminuição acentuada da pressão sanguínea, o que caracteriza a forma mais grave da doença, chamada de “hemorrágica'. A gravidade está relacionada, sobretudo, à diminuição da pressão sanguínea, que deve ser tratada rapidamente uma vez que pode levar a óbito. É necessário estar atento para as manifestações que podem indicar gravidade: dor constante abaixo das costelas, do lado direito (fígado); suores frios por tempo prolongado, tonteiras ou desmaios (pressão baixa); pele fria e pegajosa por tempo prolongado (pressão muito baixa); sangramentos que não param; fezes escuras como borra de café (sangramento intestinal).
Diagnóstico: exames de sangue.
Prevenção: não há vacina. Recomenda-se, portanto, a adoção das medidas de proteção/prevenção empregadas contra a febre amarela e a malária. O combate ao mosquito deve ser feito de duas maneiras: eliminando os mosquitos adultos e, principalmente, acabando com os criadouros de larvas. Neste último aspecto é importante que recipientes que possam encher-se de água sejam descartados ou fiquem protegidos, pois quaisquer deles que contenham água, inclusive reservatórios, são passíveis de servir como criadouros dos mosquitos transmissores. Alguns medicamentos para dor e febre podem agravar o quadro de uma pessoa infectada, o que significa ser fundamental a adequada orientação médica. 

FEBRE AMARELA
Ocasionada por vetor relacionado à água, é doença infecciosa cujo vírus tem seu reservatório natural nos primatas não humanos que habitam florestas tropicais e áreas de cerrado.
Agentes causadores: há dois tipos de febre amarela: a silvestre, transmitida pela picada do mosquito Haemagogus, e a urbana, pela picada do Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue. Embora os vetores sejam diferentes, os vírus e a evolução da doença são semelhantes.
Contágio: não passa de pessoa para pessoa; a transmissão do vírus ocorre quando o mosquito pica uma pessoa ou primata (macaco) infectados, normalmente em regiões de floresta e cerrado, e em seguida uma pessoa saudável que não tenha tomado a vacina.
Sintomas: febre alta, mal-estar, dores de cabeça e muscular muito fortes, cansaço e calafrios; vômito e diarréia aparecem, em geral, de três a seis dias após a picada (período de incubação). Em alguns casos a doença evolui bem, sem maiores problemas; em outros, no entanto, manifestam-se sinais mais graves, como icterícia, hemorragias, comprometimento dos rins, fígado (hepatite e coma hepático), pulmão e problemas cardíacos, que podem levar à morte.
Diagnóstico: como os sintomas da febre amarela são muito parecidos com os da dengue e da malária, o diagnóstico preciso envolve exames laboratoriais.
Prevenção: vacinação, que deve ser renovada a cada dez anos, sendo que em áreas de risco e indi-cada a partir dos seis meses de vida. Pessoas que se dirigem para localidades como zonas de florestas e cerrados precisam tomar a vacina dez dias antes da viagem, para que o organismo produza os anticorpos necessários. Seguir as recomendações preventivas indicadas para a malária e a febre amarela.

MEDIDAS PREVENTIVAS
Embora em cada doença constem as medidas preventivas de maior importância, as a seguir enumeradas são úteis não apenas com relação às enfermidades focalizadas como também para diversas outras. Confira.
• Incentivar o uso de privadas;

• Observar as normas de higiene após evacuar, como lavar as mãos com sabão e água corrente;

• Caso as crianças menores usem penicos, jogar as fezes na privada;

• Dar correta destinação aos dejetos humanos por meio da rede de esgoto ou fossas adequadas;

• Proteger todos os alimentos contra moscas, baratas e insetos em geral;

• Conservar os alimentos e utensílios cobertos ou dentro de armários;

• Proteger as águas de minas, cisternas, poços, lagoas, açudes e valas de irrigação, para que não sofram contaminações por fezes humanas;

• Regar as verduras, legumes e frutas sempre com água limpa, nunca aproveitando a água utilizada em casa ou a de banho;

• Lavar corretamente verduras, legumes e frutas em água corrente, principalmente as que são consumidas cruas; recomenda-se mergulhá-las durante 30 minutos em solução de hipoclorito de sódio 2,5%, usando de dez a 15 gotas para cada litro de água (o produto é encontrado nos cen-tros/postos de saúde e no comércio);

• Vacinar contra as doenças que contam com este recurso;

• Utilizar apenas água tratada, filtrada ou fervida; para tratamento de água adicionar, para cada litro, duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5%, encontrado nos centros/postos de saúde e no comércio;

• Lavar muito bem as mãos antes de iniciar a preparação dos alimentos ou a limpeza de utensílios, como a lavagem de filtro, por exemplo;

• Realizar regularmente exames de fezes para detectar eventual presença de parasitos;

• O uso de leite materno é essencial para prevenção de várias doenças, pois é um alimento que contém fatores de defesa e é isento de contaminações;

• Usar sistema de coleta e destinação adequado do lixo;

• Observar as normas de higiene principalmente com relação às crianças, inclusive em creches, escolas, hospitais e ambientes de estreito convívio;

• Consumir apenas alimentos bem cozidos;

• Manter boas normas de higiene no ambiente doméstico e no seu entorno, para evitar insetos (mos-cas, mosquitos, etc.) e roedores (ratos, etc.);

• Evitar as águas de inundações;

• Efetivar sistemático combate a roedores;

• Não deixar o esgoto a céu aberto ou permitir o seu despejo em córregos, nascentes, lagoas, etc;

• Evitar contato com a água represada ou de enxurrada quando suspeita da presença de agentes de doenças;  

• Não utilizar fezes humanas como fertilizante;

• Usar roupas adequadas, botas e luvas de borracha se necessitar entrar em contato com águas supostamente infectadas;

• Combater os caramujos da esquistossomose;

• Consumir carnes de porco e de vaca bem cozidas;

• Proteger recipientes que possam encher-se de água com tampas ou coberturas;

• Manter caixas d’água corretamente tampadas e proceder a limpezas periódicas;

• Impedir que crianças brinquem em áreas com lixo e/ou água poluída;

• Fazer as refeições em locais limpos e higiênicos;

• Não permitir acúmulo de água em vasos, pneus, garrafas, etc.

MATERIAL CONSULTADO
WWW.copasa.com.br;
WWW.csv.unesp.br;
WWW.portalsaofrancisco.com.br;
WWW.proex.ufu.br;
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WWW.cives.ufrj.br